segunda-feira, 9 de março de 2026

Entrevista com Sra Alexia Gutiérrez - Psicóloga - Sobre Angústia e Tristeza.

 

Senhora Alexia Gutiérrez- Psicóloga.
Senhora Alexia concedeu sua fotografia. 




Olá, Galerinha.

É com grande alegria que recebemos no Diário da Professora Vanessa a psicóloga Alexia Gutiérrez, profissional dedicada ao cuidado da saúde mental e ao acolhimento de pessoas em seus momentos mais delicados.

Com ampla experiência e uma escuta sensível, Alexia irá compartilhar reflexões profundas sobre dois sentimentos que atravessam a vida de todos nós: angústia e tristeza. Em sua fala, ela nos ajudará a compreender como essas emoções se manifestam, qual o papel que desempenham em nossa existência e de que forma podemos lidar com elas de maneira saudável e transformadora.

Prepare-se para uma conversa enriquecedora, que certamente tocará o coração e ampliará nossa compreensão sobre o universo emocional.


Senhora Alexia, seja bem-vinda novamente ao Blog Diário da Professora Vanessa. É com grande alegria que recebemos suas contribuições, agora sobre Angústia e Tristeza. Antes, gostaríamos que a senhora se apresentasse, falando um pouco sobre sua trajetória profissional e sua dedicação ao campo da psicologia.

Prazer a todos! Sou a psicóloga Alexia Gutiérrez, formada pela Universidade Veiga de Almeida (UVA). Minha trajetória começou na área Organizacional e do Trabalho, em equipes de Gestão de Pessoas/Gente e Gestão. Com o tempo, também fui me especializando e ganhando experiência na Neuropsicologia e na terapia Cognitivo-Comportamental (TCC). Atualmente trabalho com atendimento clínico pela abordagem da TCC, na qual sou especializanda pela CBI of Miami.

Meu objetivo é proporcionar um atendimento ético e empático, utilizando a Terapia Cognitivo-Comportamental com adultos e adolescentes. Estou comprometida em ajudar meus pacientes a alcançarem uma melhor qualidade de vida emocional e mental.


1. Senhora Alexia, qual a diferença entre angústia e tristeza?

Antes de responder, é importante deixar claro que não há um consenso entre os autores sobre esse tema. Vou responder de acordo com o que fez mais sentido para mim no decorrer dos meus estudos até hoje. Inclusive sobre a diferença entre sentimento e emoção. Ok?

Então, a tristeza é uma emoção básica, a qual temos desde pequenos. Ela é uma emoção desconfortável, acionada quando perdemos algo que era importante para nós, quando nos vemos só, ou incompreendidos. Como tudo o que sentimos, ela é uma forma do corpo nos avisar sobre nossas necessidades, de acordo com a forma que interpretamos as situações vivenciadas. E no caso da tristeza, mostra a necessidade de acolhimento e de valorização do que consideramos importante para a nossa vida.

Já a angústia é um sentimento. Em outras palavras, vamos dizer que é uma emoção mais complexa que o nosso cérebro tem a capacidade de processar. É um sentimento desconfortável que surge pela falta de porquês motivacionais e existenciais. Mostra a necessidade de alinhamento entre seus valores pessoais e suas atitudes atuais.

Gosto de dizer que a angústia evidencia um desacordo com nós mesmos, onde agimos/fazemos algo sem um porquê que realmente faça sentido para nós. Por exemplo, quando você se dedica a uma carreira pelo motivo da família ter dito para fazer, mas não porque se alinha com sua vocação pessoal ou com os seus valores pessoais.


2. Como posso identificar se minha angústia está ligada a algo específico ou se é mais geral?


A sua angústia vem de um lugar específico, apesar de não perceber de onde. Às vezes pode parecer geral por haver muitas situações que falem da mesma questão. 

Por exemplo, vamos dizer que existe uma mãe que vive angustiada e não sabe o porquê. No seguinte contexto: ela não tem o apoio do seu marido/pai dos seus filhos, para dar conta das demandas familiares. Para ela, parece que a angústia é geral por estar imersa naquela situação: arrumar os filhos, cuidar da comida, dar banho, manter a casa arrumada... A angústia vem, mas não se sabe ainda o porquê. Então, depois de algum tempo de autorreflexão, percebeu que sua vontade pessoal é "queria estar me dedicando mais ao meu empreendedorismo” e seu valor pessoal é "mãe e pai são igualmente responsáveis pelos filhos”. Com essa descoberta, se sentiu menos angustiada, pois descobriu o que estava em dissonância.

Porém, assim como ela, nós só deixamos de sentir a angústia quando temos ações que suprem essas nossas necessidades de alinhamento com nós mesmos. Toda ação que vá contra os nossos porquês poderá acionar o sentimento de angústia.


3. Existe uma forma saudável de expressar a tristeza sem me sentir fraco ou vulnerável?

Quando expressamos um desconforto nosso (nesse caso a tristeza), estamos nos permitindo ser vulneráveis para conseguirmos elaborar internamente o que aconteceu. Se ver vulnerável não é ruim. O que nos entristece é uma fragilidade nossa, não tem como não sentir isso. Para lidarmos de forma saudável com a tristeza, precisamos aceitar que ela está ali e nomeá-la quando acontecer. Para que assim, a intensidade da emoção possa diminuir.

Entendendo o que fez com que nos sentíssemos assim, e como ela reage no nosso corpo, estaremos exercitando a nossa autocompaixão pela nossa vulnerabilidade. Além de desenvolver a humildade, autoconhecimento e resolução de problemas.

Agora, temos que ter cuidado com certos tipos de crenças que temos sobre a tristeza, pois algumas delas podem reforçar situações que nos deixam assim, em vez de nos permitir deixá-la fluir e resolvermos o que precisa ser resolvido. Vou explicar:

Quando temos a crença: “falar o que me chateou é fraqueza”, estamos mais propensos a evitar a resolução de problemas, além de aumentar a ruminação de pensamentos relacionados, e a culpabilizar o outro, pelo motivo de não querermos ser fracos.

Então, o “sentir fraco”, se não estiver se referindo a sensação física de pressão baixa, por exemplo, precisa de atenção. Pois é diferente do julgamento de ser fraco: “me vejo fraco quando me permito ser vulnerável”. Nesse caso, é necessário trabalhar internamente para se desprender destas crenças que não permitem lidar com a emoção de forma saudável.


4. A angústia pode ter origem em experiências passadas, mesmo quando não estou consciente delas?

Pode sim, pois nossos valores pessoais e necessidades também são aprendidos. E nosso aprendizado vem de antigas experiências de vida.


5. Quais sinais mostram que a tristeza está afetando minha vida de maneira negativa?

Quando você não consegue seguir em frente, ou se percebe ruminando situações passadas. Quando você não está conseguindo fazer suas coisas do dia a dia por conta dessa tristeza. O mais indicado nessas horas é buscar ajuda profissional, como um(a) psicólogo(a).


6. Como posso lidar com a sensação de vazio que acompanha a angústia?

Buscando ver em que direção está apontando essa angústia, em que ponto da sua vida parece estar em dissonância? Quais dos seus valores e necessidades você não está ouvindo, e continua insistindo em outra direção?

7. É possível transformar a tristeza em algo construtivo para meu crescimento pessoal?

Com certeza, com ela percebemos o que valorizamos, e com sua expressão exercitamos habilidades pessoais e interpessoais essenciais para uma boa qualidade de vida.

8. De que maneira o corpo manifesta a angústia além das emoções?

Através das sensações físicas: vazio interno, de energia baixa, aperto no peito, por exemplo. Cada pessoa pode manifestar a angústia de formas diferentes.

9. Como diferenciar momentos em que preciso enfrentar a tristeza sozinho e quando devo buscar ajuda?

Quando você perceber que não está conseguindo sozinho, é importante pedir ajuda. É importante aprender formas de regulação emocional para conseguir tomar as melhores decisões frente aos problemas daquele contexto em que a tristeza veio. Mas se perceber que está tendo dificuldade, é importante pedir ajuda, principalmente para um(a) psicólogo(a).


10. Quais estratégias práticas posso usar no dia a dia para aliviar a angústia?

Primeiro é interessante escrever os contextos em que a angústia aparece, para depois se refletir sobre as formas como agiu e as formas como realmente queria ter agido. Para então, legitimar as suas reais vontades, seus valores pessoais e necessidades que não estão condizentes com a forma que está agindo.

Depois de perceber o que está te angustiando, é interessante ter em mente que não existem apenas extremos de ações (“ou eu faço isso ou eu faço aquilo”), podemos agir de muitas formas diferentes… e entender isso pode ajudar a buscar a melhor atitude que condiz com o que você realmente precisa.

Senhora Alexia, poderia deixar uma mensagem para a galerinha, pais, responsáveis e educadores?


Claro! Sempre estejam dispostos a ouvir os jovens, sem julgamentos, pois saber que tem alguém ali para acolhê-los, os ajudarão a serem mais sinceros com vocês e com eles mesmos. Principalmente nos momentos em que eles se sentem angustiados ou tristes.

Também é importante lembrar que a angústia costuma aparecer mais claramente na adolescência e na vida adulta, por ser uma forma mais complexa de sentir, diferente da tristeza, que é uma emoção básica. Então, se suas crianças vierem relatando algo assim mais intenso, seria interessante levar a um(a) psicólogo(a).

Agora, para pais e responsáveis que se sentem angustiados com seus(suas) filhos(as) adolescentes e jovens adultos, é importante lembrarmos que não temos como controlar o comportamento dos outros, mesmo que tenhamos o papel de educar. Apenas conseguimos decidir como nós vamos agir frente às situações que acontecem. Com isso, convido a vocês a buscar manter o equilíbrio entre limite e liberdade de escolha, pois eles também precisam exercitar a própria autonomia. A angústia ou a tristeza de alguns pais e responsáveis pode estar expondo, na realidade, a necessidade excessiva de controle que precisa ser revista. Nesse caso, a psicoterapia pode ser libertadora para se trabalhar essas questões internas.






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O Diário da Professora Vanessa expressa sua profunda gratidão à psicóloga Alexia Gutiérrez pela valiosa contribuição em nossa reflexão sobre angústia e tristeza.

Com sua sensibilidade e conhecimento, Alexia nos ofereceu uma compreensão mais ampla sobre essas emoções que fazem parte da experiência humana, mostrando caminhos de acolhimento e possibilidades de transformação. Sua fala trouxe não apenas esclarecimento, mas também esperança e inspiração para lidar com os desafios emocionais do dia a dia.

Agradecemos por compartilhar conosco sua dedicação e sabedoria, enriquecendo nosso espaço de diálogo e aprendizado.

Professora Blogueira Vanessa.


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